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Atualidades
Os heróis e o tempo


Publicado desde 09/09/2006
Gisele Aparecida  da Silva 

        Ao discorrermos sobre o assunto relacionado aos heróis, é impossível fugirmos da sensação bucólica franqueada pelas lendas transmitidas por nossos antepassados, bem como pelos nossos livros de história, que contam a trajetória de inúmeras personalidades que devotaram suas vidas em prol de uma causa ou de uma ideologia.

       Nesse contexto podemos citar Spartacus, Joana D’Arc, Carlota Corday, Olga Benário, Luis Carlos Prestes, Rosa Luxemburgo, Che Guevara, entre inúmeros outros, cujos nomes não nos recordamos, mas com histórias de vida semelhantes. Todos foram homens ou mulheres que perceberam falhas existentes na cultura de seus respectivos tempos e não mediram esforços no sentido de corrigir tais erros.

       Todavia, tais ações que tinham o objetivo de melhorar as condições sociais e das Instituições, em sua grande maioria, terminavam por contrariar o senso comum de uma época, sendo esta a razão por que tais indivíduos foram interpretados como anti-sociais, subversivos e taxados de criminosos de alta periculosidade. Assim, como podemos verificar através das histórias e das lendas, quase sempre os heróis são tenazmente perseguidos, encarcerados, torturados e assassinados pelos detentores do Poder Político ou Econômico.

       Desde à infância, a educação padronizada a que somos submetidos, ensina-nos a admirar esses homens e mulheres, que em nosso passado lutaram bravamente por justiça, por independência ou por um sistema econômico mais humano. Somos levados a adotar tais personalidades como exemplos de vida e insuflados a crer na possibilidade de mudar o mundo através dos valores que eles defendiam.

       Entretanto, nada é tão paradoxal quanto os heróis de nossa história. Tal afirmativa repousa na realidade concretamente vivenciada de que, na época em que surgiram, tais indivíduos e suas idéias libertadoras representavam a esperança para uma parcela de indivíduos e também um perigo à Ordem Constituída, razão pela qual suas idéias e suas ações eram consideradas subversivas.

       Também não é preciso discorrer muito sobre o pavor que esses homens e mulheres impingiam na sociedade em que surgiam, uma vez que o aparecimento da grande maioria dos heróis é acompanhado por convulsões sociais, ações armadas e revoluções. Quase sempre são considerados excluídos da esfera social, permanecendo, desse modo, à margem do Estado.

       Um bom exemplo do que aqui se analisa, consiste nas atividades desenvolvidas pelos comunistas no século passado. Chefiados pelo partido comunista sediado na União Soviética, seus membros eram espalhados em todas as partes do planeta, desempenhando funções que objetivavam realizar revoluções com intuito de instalar a Ordem Comunista.

       Vivendo na mais absoluta clandestinidade, os comunistas eram considerados uma ameaça à sociedade, razão pela qual todos aqueles que desempenhavam atividades relevantes figuravam, à época, entre os criminosos mais procurados do planeta. Ser comunista, portanto, era sinônimo de criminoso.

       Tais circunstâncias, no entanto, podem ser compreendidas se atentarmos para o fato de que boa parte destes homens e mulheres recebiam treinamentos militares, além do ideológico. Também não podemos deixar de consignar o fato de que não era raro que o financiamento de ações revolucionárias fossem obtidas por intermédio de ações escusas ou de origens desconhecidas .

       Por conseguinte, ao analisarmos tais fatos sob a ótica de um raciocínio lógico, é impossível não questionarmos como um indivíduo, que durante um período foi considerado criminoso e perseguido pelas Instituições por esta razão, passa a ser admirado como herói em período posterior, elevado à posição de exemplo a ser seguido.

       Um sábio japonês, afirmou que tudo que existe no universo, inclusive aquilo que está relacionado ao ser humano, é regido pelo Tempo. Sob este raciocínio ainda observou: “[. . .] A delimitação do apogeu e da decadência subseqüente, das mudanças históricas, das definições do bem e do mal, da justiça e da injustiça, tudo está subordinado a ele. Por esse motivo, o que agora é um bem daqui a alguns anos poderá ser um mal, e aquilo que hoje é considerado verdade poderá ser desprezado amanhã, por tornar-se falso. (Alicerce do Paraíso, V. 4, p. 103).”

       O Tempo, por conseguinte, é a categoria absoluta que pode ser considerada a medida de todas as coisas existentes, uma vez que tudo se encontra sob sua ação. Todavia, a ação do Tempo, muito embora seja ampla e indeclinável, limita-se somente a alguns aspectos relacionados ao homem, tais como valores morais, normas, aspectos culturais, ideologias,saber científico, formas etc. No tocante ao interior humano, constatamos que poucas são as mudanças processadas pelo Tempo, sendo esta a razão de inúmeras contradições na história de nossa civilização.

       Como podemos observar pelo contexto mundial atual, interiormente, o caráter humano ainda encontra-se selvagem, uma vez que não conseguiu libertar-se de sua disposição à violência e da forte tendência a não sopesar os meios para adquirir seus fins. Desse modo, não é absurdo afirmar que esta é uma das principais razões para o caos em que se encontra a humanidade neste momento, com ações terroristas; guerras; conflitos étnicos, religiosos, ideológicos; criminalidade organizada, entre outros tantos exemplos.

       É indiscutível que o homem evoluiu desde as eras subumanas. Entretanto, no que tange à selvageria de seu caráter, constatamos, para nosso estarrecimento, que o homem não conseguiu eliminá-la de seu interior e que o progresso apenas tornou mais sutil e mais destrutiva a sua exteriorização. Culturalmente, portanto, a humanidade entende a selvageria como inerente à raça humana.

       Tal conclusão é chocante e pessimista, porém ninguém deixará de concordar com a sua veracidade. Qualquer que seja o movimento ideológico ou o nome que se dê ao grupo, facilmente podemos observar a enorme semelhança existente entre suas modalidades de atuação: são formados por pessoas que possuem ideais e não sopesam os meios para conseguir atingir seus objetivos, mesmo que, para tanto, seja necessário usar da violência, tanto a física como a moral.

       Estendendo um pouco mais o raciocínio aqui desenvolvido, é impossível não compararmos os nossos personagens históricos considerados heróis com muitos homens e mulheres de nossa atualidade que estampam suas faces e suas ações em jornais de todo o mundo, levando o terror a uma parte do planeta e a esperança para alguns poucos. Analisados cada um à sua época, verificamos a terrível semelhança: ambos os lados possuem ideais e ambos franquearam o mundo com sua violência, objetivando a concretização de tais sonhos.

       Por conseguinte, a única diferença entre uns e outros consiste na transformação processada pela categoria absoluta chamada Tempo. Esta é a realidade de nossa história passada e contemporânea, cujas razões, como já mencionado acima, encontra-se no fato de que o nosso senso comum entende a selvageria como algo inerente à raça humana.

       Desde o nascer até o morrer o indivíduo é sugestionado pela cultura da selvageria, que o ensina a buscar a satisfação de seus desejos somente para si e para o grupo daqueles que convivem mais proximamente a ele. A felicidade ao longo dos últimos séculos passou a ser sinônimo de bens materiais, status, poder. Desde muito cedo se aprende a buscar a auto-realização egocêntrica não importando quais forem os meios para atingi-la.

       Por todos os lados vemos estampadas as marcas grosseiras da cultura da selvageria, inclusive na televisão, na literatura, teatro, pintura etc. Não é preciso dizer que até na arte a violência e a inversão de valores nunca esteve tão em destaque quanto em nosso cotidiano atual. Nem mesmo as animações infantis escapam desta situação lamentável.

       Por tais razões não seria nada espantoso que nossas gerações futuras venham a admirar como heróis, homens e mulheres que em nosso cotidiano são sinônimos de terror. Em realidade todos eles foram ou são homens que através da selvageria, buscaram ou buscam concretizar suas ideologias, tal como os nossos heróis do passado. Como já salientamos, tudo é uma questão de Tempo.

       Entretanto, nem tudo é perdido e realmente pernicioso. Também é verdadeiro que o fator preponderante para que um “herói” surja em um contexto da história, vem a ser a necessidade de mudança e progresso, seja com relação às Instituições, seja com relação ao espírito humano. Desse modo, a selvageria chama a nossa atenção para a necessidade de discutirmos e revermos as falhas existentes em toda a nossa cultura moderna.

       Valores como a Justiça, a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade,a Dignidade Humana, entre inúmeros outros, somente são verdadeiros quando sua concretização é objetivada a toda humanidade. Quando se é buscada a concretização desses valores apenas para um povo, uma classe, uma etnia ou um país, tais ideais tornam-se restritos e perniciosos, uma vez que para sua realização normalmente admite-se a prática da selvageria em relação a outros povos, classes, etnias ou países.

       É preciso, portanto, que o ser humano evolua no sentido de libertar-se da barbárie que cada um carrega dentro de si, para que possamos corrigir as falhas existentes em nossa cultura. Legislações rigorosas, maior justeza na distribuição de renda, educação de qualidade etc., são necessários mas não são o ponto vital do problema, uma vez que constituem apenas aspectos secundários em nossa civilização. A essência de todas as mudanças encontra-se no ser humano.

       O Bem Comum somente se tornará uma realidade no momento em que cada indivíduo passar a trabalhar pela felicidade do todo, assim entendida toda a humanidade. A selvageria está na busca de satisfação apenas para si e a violência é decorrência do entrechoque de interesses entre os indivíduos. Nem é preciso dizer que a busca pela eliminação dos sofrimentos humanos enfraquece-se por dispersão das forças e a humanidade a cada dia encontra-se mais caótica.

       Portanto, em conclusão a tal raciocínio, somente quando todos os homens, todos os povos, todas as etnias e classes unirem-se com o objetivo de buscar a eliminação dos sofrimentos humanos – doenças, conflitos e pobreza – nossa Cultura se libertará da Era selvagem, ingressando, finalmente, numa Era Civilizada.

       

Este conteúdo foi redigido e finalizado em 08/09/2006, segundo o seu autor e responsável.
Representa, única e exclusivamente, a opinião particular do próprio autor. Ele é o único responsável pelas informações acima dispostas e publicadas, análises e críticas assumidas, informações pesquisadas, incluídas e citações realizadas.


Gisele Aparecida Pereira da  da Silva 
Membro desde fevereiro de 2006
Gisele Aparecida Pereira da Silva, advogada, graduada em 2002 pela Faculdade de Direito de Bauru, Instituição Toledo de Ensino, capacitada em mecanismos extrajudiciais de solução de conflitos pelo INACOM - Instituto Internacional de Arbitragem, Conciliação e Mediação, membro da comissão de direitos humanos da OAB subseção Bauru/SP *
* segundo o próprio membro em 14 de fevereiro de 2006


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