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OIT: mais da metade das mulheres trabalhadoras tem empregos vulneráveis

A diarista Maria Luzinete de Souza trabalha de segunda a sábado, em seis casas diferentes. Embora não tenha os benefícios de quem trabalha com carteira assinada, ela optou por trabalhar como autônoma por acreditar que a renda seja maior do que em um emprego fixo. Mesmo assim, a diarista gostaria de ter uma colocação formal no mercado de trabalho.

“Eu gostaria de ter carteira assinada, porque vai me dar todas as garantias para o final da minha velhice, vou ter uma aposentadoria, ainda que não seja uma aposentadoria decente, que ninguém tem aposentadoria digna nesse país, mas eu gostaria porque vai me dar uma certa garantia no final da minha velhice”, avalia.

Maria Luzinete não é exceção no mercado de trabalho atual. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 51,7% das mulheres têm empregos vulneráveis, ou seja, trabalham por conta própria ou são trabalhadoras auxiliares ou familiares.

O número é menor do que o registrado em 1997, quando o total de mulheres com empregos vulneráveis era de 56,1%. Mas a vulnerabilidade continua afetando mais as mulheres do que os homens: no total, 48,7% dos homens não são trabalhadores assalariados.

A situação é pior nos países mais pobres. Na África Subsaariana, o percentual de mulheres com empregos vulneráveis é de 81,7%, e na Ásia Meridional, de 84,2%.

Os dados fazem parte da pesquisa Tendências Mundiais do Emprego das Mulheres, da OIT, divulgada por ocasião do Dia Internacional da Mulher, que será comemorado amanhã (8).

De acordo com a coordenadora da área de Igualdade de Gênero e Raça da OIT, Solange Sanches, o Brasil mostra tendência relevante para o aumento do número de empregos com carteira assinada.

“Para as mulheres, esse é um tema extremamente importante, porque a maior profissão feminina no país continua sendo a das trabalhadoras domésticas, cujo percentual com carteira assinada mal chega aos 30%”, afirma.

Segundo ela, a pesquisa demonstra a importância das mulheres como agentes econômicos e atores sociais na economia e no bem-estar das famílias. “O trabalho decente para as mulheres não é só uma questão de justiça, mas é uma medida inteligente porque passa a incluir na sociedade todo o potencial que existe nas mulheres”, argumenta.

Para a secretária nacional sobre Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane da Silva, os dados da OIT são verdadeiros e têm muita similaridade com a realidade brasileira. Ela lembra que, no país, as mulheres também têm participado mais do mercado de trabalho formal, mas isso não significa que estejam sendo mais valorizadas.

“As mulheres estão entrando no mercado de trabalho, mas elas estão entrando nos setores mais precarizados”, afirma, lembrando que a participação é mais forte nos setores de serviço e comércio, onde as jornadas de trabalho são maiores e os salários mais baixos.

Além da diferença salarial, que segundo ela é de 30% em relação aos homens, Silva cita como obstáculos para que a mulher seja mais valorizada a intensificação do ritmo de trabalho, a cobrança maior das empresas e o aumento da rotatividade.

“A rotatividade tem crescido muito, e somos nós, mulheres, que sofremos mais, porque somos nós que engravidamos, ficamos afastadas do trabalho e isso acaba afetando para a entrada no mercado”, ressalta.

Por Mateus Matos