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Jovem de 20 anos é o advogado mais novo do Brasil

Neste mês de fevereiro, o mineiro Roberto Apolinário recebeu, em solenidade na Seccional mineira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), sua carteira de advogado. Assim como cerca de 500 mil brasileiros, Roberto receberá autorização para exercer a advocacia. No entanto, ele tem algo a mais – ou talvez a menos – que os demais advogados: o mineiro de Governador Valadares tem apenas 20 anos.

Filho de uma advogada e de juiz de direito, Apolinário conta que desde muito pequeno já freqüentava o trabalho do pai e, como não tinha nada para fazer, pedia para ajudá-lo. “Com 12, 13 anos, eu já digitava sentença para ele. Separava processo por tipificação penal. Meu pai teve LER (Lesão por Esforço Repetitivo), e eu digitava para ele. Até a tese do mestrado dele eu digitei”, conta o novo advogado à reportagem de Última Instância.

Aos 15 anos, após ter sido aprovado em cinco vestibulares para direito – o primeiro aos 13 anos, Apolinário e a família decidiram que ele iria cursar a faculdade. A família entrou na Justiça e o adolescente pôde fazer a faculdade, ao mesmo tempo em que terminava o ensino médio. “De manhã eu fazia a escola, à noite a faculdade. Foi assim no segundo e terceiro ano”, diz.

De acordo com o jovem, o acúmulo de aulas não foi problema. “Nunca tive que fazer exame final na faculdade”. Ele conta que o convívio com os colegas universitários foi tranqüilo. “Sempre gostei de ter contato com pessoal mais velho. Fiz muitos amigos na faculdade, mesmo depois de formados sempre nos encontramos para conversar”, conta.

Atualmente, Apolinário trabalha como oficial no Ministério Público em Galiléia (MG) e diz ter interesse em seguir estudando. “Gosto de escrever sobre direito. Penso em fazer mestrado e depois doutorado”, diz. O jovem advogado não sabe ainda se vai advogar ou tentar carreira pública. “Estou em um momento de indecisão, mas acho que vou advogar, até porque há uma dúvida se meu trabalho pode ser contado como tempo de prática jurídica”, afirma.

Ele conta que, na escolha da profissão, nunca recebeu interferência da família. “Meu pai, quando eu era mais novo, queria que eu fosse médico. Um dia, brinquei com ele, se quiser mesmo, vai ter que ter outro filho”.

Assim como toda criança, Apolinário brincava e brigava com a irmã, mas utilizava seus “conhecimentos jurídicos” para provocá-la. “Eu ficava assistindo meu pai trabalhar e, para provocá-la, tudo que eu podia fazer, fazia. Ela tinha um pintinho e um dia, deixou o pintinho morrer. Quando fomos visitar meu pai, eu julguei ela pelo homicídio do pintinho”, conta. Outra vez, Apolinário digitou uma petição em que pedia que a irmã perdesse a guarda dos cães, por não retirar os cocos dos cachorros.

O mais novo advogado do Brasil na atualidade reconhecesse que a pouca idade pode trazer algumas dificuldades na profissão. “Para quem não me conhece, pode surgir preconceito, mas acho que quando se faz o trabalho bem feito, esse preconceito vai embora”, avalia.

Quanto à falta de experiência de vida, ele diz acreditar que possa ser contornada com bom senso. “Sempre procurei estudar bastante. Fiz estágio durante dois anos no Ministério Público, fiz estagio com um juiz, então, sempre procurei extrair o máximo de experiência de vida destas pessoas”. Afinal, apesar da pouca idade, Roberto Apolinário já visita o fórum há pelo menos oito anos. A reportagem é do jornalista Luciano Dias e foi publicada na edição de hoje do site Última Instância.

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