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Estudo confirma que há racismo nas escolas brasileiras, avalia pesquisadora

Os dados do estudo “Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade” permitem comprovar que há racismo nas escolas brasileiras, avalia a pesquisadora Mary Garcia Castro. Professora da Universidade Católica de Salvador e uma das coordenadoras do estudo, Castro sublinha que o baixo rendimento escolar dos alunos negros em matemática e português, em relação aos brancos, é, sobretudo, em função da discriminação que sofrem nas instituições de ensino.

Segundo ela, o que mais chamou a atenção dos pesquisadores, foi a banalização do racismo nas escolas de ensino fundamental e médio. Ela cita os apelidos, as piadas, as brincadeiras e, principalmente, as formas sutis de discriminação, como as maneiras que causam desconforto aos estudantes negros. “Há racismo nas escolas do país. E lá dentro, a maioria do corpo direcional, incluindo professores, nega que exista tal diferença”, ressalta. “Dizem que é um problema familiar. Um erro. A escolas refletem e reproduzem a sociedade”.

Essa discriminação, mesmo que sutil, afeta na formação dos estudantes negros, pontua a professora. A baixa auto-estima, a desmotivação, uma aceitação de inferioridade, a negação da identidade e o sentimento de que “não sou capaz”, podem acompanham as crianças e adolescentes pelo resto da vida e, por conseqüência, acabam influindo negativamente no aprendizado, refletindo nas notas mais baixas que as dos alunos brancos.

A pesquisa foi feita em escolas pública e privada de cinco capitais (Belém, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Brasília) das cinco regiões do país pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O levantamento, de 2003, foi concluído no ano passado. Além dos números do Saeb, foi realizada ainda uma análise qualitativa em 25 escolas, quando foi observado o comportamento nas salas de aula e nos intervalos para o recreio, incluindo entrevistas com professores, diretores e alunos.

De acordo com o estudo, as diferenças nas notas entre negros e brancos tendem a aumentar a cada série, o que indica que isso decorre em função de um arrefecimento do preconceito na medida que os negros avançam nos estudos. Por exemplo, na 4º série, a média de notas dos alunos brancos é 12,4 vezes maior do que as dos negros; já na 3º série do ensino médio, é 22,4 vezes maior.

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