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Vagas para concurso público neste ano estimulam procura por cursinhos

Cerca de 5 mil vagas para concurso público já foram autorizadas pelo governo federal para este ano. Os donos de cursinhos preparatórios esperam, com isso, lotar as salas de aula em 2007. É o que afirma Wilson Granjeiro, o diretor de um curso preparatório, que prevê aumento 35% na procura por capacitação até o final do ano.

“As salas estão lotando com expectativa de o governo federal e o governo local [Distrito Federal] realizarem concursos públicos anualmente, substituindo os [funcionários] terceirizados e comissionados e regularizando o ingresso por concurso público”, disse Granjeiro. Para ele, 2007 será o ano dos concursos. “Será muito bom para nós, empreendedores, e para quem está desempregado, ou quer sair da iniciativa privada e trabalhar para o governo, com os benefícios oferecidos”.

Neste ano, os novos servidores serão distribuídos nos nove ministérios e na Presidência da República, com salários variados. Para um auditor fiscal do trabalho, a remuneração é de mais de R$ 10 mil por mês, incluída a gratificação de produtividade. Outro exemplo é o fiscal agropecuário, que em início de carreira recebe pouco mais de R$ 5 mil por mês.

A distribuição das vagas obedecerá a prioridades que serão definidas pelo Ministério do Planejamento e sindicatos.

Entre 2003 e 2006, o governo autorizou a contratação de mais de 81 mil servidores públicos. A folha de pagamento anual passou de R$ 64,7 bilhões para R$ 105 bilhões.

Diretor de cursinho destaca mudança no perfil de candidatos a cargos públicos

A busca por estabilidade tem levado candidatos a cargos públicos a voltar às salas de aula, principalmente neste ano, quando já foi autorizada pelo governo federal a abertura de 5 mil vagas. Entretanto, o diretor de um cursinho preparatório de Brasília, Wilson Granjeiro, afirma que a idéia de que o servidor público trabalha pouco está mudando.

“Essa visão de que no serviço público vigora a figura do Barnabé, aquele vai lá, deixa o paletó, não trabalha, vai o dia que quer, está mudando. O servidor é avaliado anualmente. A remuneração depende do seu desempenho, e a permanência, de resultados. Sai essa figura do Barnabé, e entra o servidor do público. Aquela pessoa preocupada com resultados, que se foca no cidadão, no contribuinte”, ressalta Granjeiro.

Segundo ele, nos editais de concursos públicos realizados atualmente, há a exigência de que se tenha conteúdo referente à conduta ética do servidor, com ênfase na produtividade e eficiência. “É uma mudança cultural que vem acontecendo há cerca de uma década. Nas próximas gerações, vamos mudar radicalmente o serviço público, como exige o cidadão contribuinte”, acrescentou.

Granjeiro diz ainda que a permanência no serviço público depende do desempenho do servidor, já que o funcionário pode ser demitido, se tiver uma avaliação negativa. “A única diferença em relação à iniciativa privada é que no governo antes de haver demissão, o servidor tem direito a um regular processo, que vai assegurar contraditório e ampla defesa”, explica.

Em entrevista à TV NBR, a psicóloga Thaís Cerqueira afirmou que um dos principais objetivos ao tentar entrar para o quadro de servidores da Câmara ou do Senado é ter estabilidade. “Acabei meu doutorado e quero trabalhar no que eu sinta que sou valorizada, que tenha a ver com o que eu estudei e com uma certa estabilidade também”.

A corretora de imóveis Gileze Pires disse que, depois de estudar para passar no concurso, também poderá alcançar a tão sonhada estabilidade. “Dureza, muita dureza, muita estrada pela frente e depois tranqüilidade, sombra e água fresca”, resumiu.

Por Mateus Matos