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Cavalieri: Justiça do Rio contra o cigarro e seus derivados

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Sergio Cavalieri Filho, disse hoje (6 de dezembro) que os fumantes que freqüentam o Fórum Central somente poderão fazer uso de cigarros no fumódromo. Segundo ele, a Justiça do Rio está contra o cigarro. “Nunca vi algo mais destrutível, terrível e diabólico do que o cigarro. Estamos dizendo que faz mal e que a Justiça está contra o cigarro”, afirmou Cavalieri na abertura da palestra Falando sobre Tabagismo, da médica Vera Colombo, do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

A partir de sexta-feira, dia 9 de dezembro, entra em vigor o ato normativo que estabelece as condições para uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbo ou qualquer outro produto fumígeno nas instalações do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. A palestra foi realizada para alertar servidores, advogados e demais freqüentadores do Fórum sobre os malefícios do fumo.

Sergio Cavalieri afirmou que, diferente dos Estados Unidos, ainda não há no Brasil a responsabilização pelo comércio do cigarro, mas que a tendência é que isso mude. “O que se gasta com tratamento médico é maior do que se arrecada com tributos”, justificou. Ele lembrou que a indústria tabagista fazia propaganda enganosa e escondia os males causados pelo fumo. “O mercado é tão forte que durante décadas escondeu isso. Nunca se viu uma pessoa morrendo de câncer. Faziam propaganda enganosa”, comentou.

O corregedor-geral da Justiça, Manoel Carpena Amorim, explicou que o ato normativo, assinado por ele e pelo presidente do TJ, surgiu após receber inúmeras reclamações de pessoas contrárias ao uso de cigarros nos corredores do Fórum. As queixas foram depositadas nas urnas da Ouvidoria existentes no prédio. “A administração respondeu aos anseios dos usuários e realizou um trabalho integrado com a Diretoria de Logística”, disse.

Ambientes livres do fumo

De acordo com médica Vera Colombo, a campanha contra o uso do cigarro e derivados é importante porque, por ano, cerca de cinco milhões de pessoas morrem de doenças relacionadas diretamente com o tabaco. Ela disse também que o fumo agrava a fome e a pobreza porque as camadas mais baixas da população deixam de comprar alimentos para manter o vício. “Dos 1,3 bilhão de fumantes do mundo, 80% estão nos países em desenvolvimento”, ressaltou.

A médica apresentou pesquisa, segundo a qual, o tabagismo é uma doença pediátrica uma vez que 90% das pessoas começam a fumar aos 19 anos, sendo a idade média de iniciação aos 15 anos. “No mundo, 100 mil jovens começam a fumar a cada dia e desses 80% vivem em países pobres”, completou.

Segundo Vera Colombo, os cigarros e demais derivados do tabaco possuem cerca de cinco mil substâncias tóxicas, entre elas, o alcatrão – que resulta da queima do tabaco e tem 43 substâncias cancerígenas – e a nicotina, que causa dependência. “É a droga que mais rápido chega ao sistema nervoso”, ressaltou. Ela enumerou as doenças associadas ao uso do tabaco, entre elas, angina, infarto do miocárdio, doença pulmonar crônica, e câncer.

Quanto ao tabagismo passivo, a médica do Inca esclareceu que traz risco para a saúde. Ela afirmou que a fumaça que sai da ponta acessa do cigarro é o principal componente da Poluição Tabagística Ambiental (PTA) e o que mais preocupa nos ambientes de trabalho. “Pessoas que ficam oito horas em média no ambiente de trabalho, muitas vezes expostas à fumaça do colega, equivale dizer que fumaram de quatro a 10 cigarros”, disse. Ela destacou ainda que, ao final de sua vida profissional, o fumante passivo pode desenvolver doenças associadas ao tabaco. Entre as vantagens de um local de trabalho sem cigarros estão o estímulo para deixar de fumar e um ambiente favorável à abstinência.

Por Mateus Matos