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O polêmico caso Larry Rother

Mais uma vez o governo brasileiro demonstra sua peculiar dificuldade em gerenciar crises. O presidente Lula havia tomado a péssima decisão de cancelar o visto do correspondente do The New York Times, Larry Rother, por ter escrito este um infundado artigo em que afirma que “o hábito de beber do presidente condiciona sua capacidade de gestão e gera preocupação nacional”. Começou aí a tempestade em copo dágua gerada pelo frágil governo. É mais do que óbvio que a matéria de autoria do correspondente não tem base alguma, que não passa de um texto fútil e sem fundamentos.

Ora, mas por que então tomar uma medida tão drástica, tão radical e que acaba por denegrir a imagem do país perante a comunidade internacional? Será possível que o presidente não poderia simplesmente ter ficado quieto, aguardado a própria imprensa condenar a matéria inconsistente ou, na pior das hipóteses, divulgado uma nota de repúdio exigindo explicações sobre o assunto? Uma matéria sem créditos e que provavelmente seria objeto de desaprovação em todo o mundo acabou se tornando o motivo de mais uma imensa crise provocada pela própria infantilidade palaciana. Além disso, gera margem para a desconfiança: se Lula se preocupou tanto com uma absurda reportagem, não teria esta um fundo de verdade?

É claro que o tal artigo, cujo conteúdo é extremamente ofensivo e digno de indignação, denigre a imagem do presidente da República do Brasil, mas seria este fato isolado um motivo suficientemente relevante para colocar em descrédito o compromisso do país com a liberdade de imprensa? É um disparate que o governante de um país que se julga democrático tome uma decisão meramente regada por suas próprias emoções, que por um acaso foram colocadas acima do interesse nacional.

A decisão de Lula foi apoiada por quase toda a base governista. Foi inclusive apoiada pelo ex-presidente Itamar Franco, o qual tem se mostrado, por diversas vezes, um grande trapalhão. Eles não devem enxergar as verdadeiras proporções da medida presidencial: a reprovação da comunidade internacional e a volta da desconfiança no governo. Será mesmo que Lula realmente amadureceu e se tornou um democrático governante ou será que ele esconde por trás de uma máscara a faceta de um ditador, resguardando suas velhas convicções de extrema esquerda? A História não nos deixa mentir.

Acredito piamente que nosso presidente Lula realmente tenha amadurecido e reformulado suas antigas ideologias. O cancelamento do visto do correspondente não passa, então, de mais uma trapalhada da equipe de governo, que tenta manipular, a todo custo, a opinião pública alegando que “agiu em prol da honra nacional”.

Pois bem, o caso acabou indo parar no STJ e a decisão foi favorável ao jornalista, como não poderia ser diferente. Uma prova do despropósito da decisão do presidente da República. Tanto é verdade que, tempos depois, Lula recuou em sua decisão e devolveu o visto ao jornalista americano. Assumiu aí, claramente, o erro da precipitada decisão.

Abra o olho Lula!

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