Pressione "Enter" pra pular este conteúdo

Mulher condenada após aparecer no “Linha Direta” terá novo Júri

Deve ir a novo Júri Popular Dinorá Veneroso, condenada a 18 anos e seis meses de prisão, em março deste ano, por mandar o amante matar seu marido, em dezembro de 1992. A ré foi presa oito anos depois do crime, em novembro do ano passado, no interior do Espírito Santo, após aparecer no programa “Linha Direta”, da TV Globo.

Mesmo com um pedido de vista, suspendendo o julgamento do recurso apresentado por Dinorá, a maioria dos Desembargadores da 2ª Turma Criminal entendem que ela deve ser submetida a novo julgamento. O argumento sustentado pelos advogados da ré é o de que houve cerceamento na defesa. Os procuradores afirmam que Dinorá — conhecida na cidade do Gama por fazer uso de rituais de magia negra — não teve condições de se defender, diante do clamor social provocado pelo programa de televisão.

Conforme documentação existente nos autos, Dinorá conviveu com o marido Dorival da Mata, durante 16 anos. Segundo testemunhas, ela mantinha o relacionamento com o amante Francisco Antônio de Carvalho paralelamente a seu casamento.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Francisco e Dinorá planejaram juntos a morte de Dorival. Ela ficou responsável por levar o marido até as proximidades de uma igreja Assembléia de Deus, no setor oeste do Gama, enquanto ele ficou encarregado de efetuar os disparos e dar sumiço à arma utilizada no crime (um revólver calibre 32).

O Tribunal do Júri do Gama acolheu os termos da denúncia do MP e condenou Dinorá pelo crime de homicídio qualificado (motivo torpe e mediante emboscada) com concurso de pessoas. Com um novo julgamento, a ré tem chances de ter sua pena reduzida, mas também há possibilidade de ser condenada a pena superior, podendo chegar a 30 anos. De qualquer forma, deve aguardar novo julgamento na prisão.

Além dessa apelação, Dinorá Veneroso é autora numa ação cível de indenização por danos morais, contra a TV Globo. O processo tramita na 9ª Vara Cível de Brasília, mas ainda não houve citação. O valor do pedido é de R$ 2 milhões.

Por Mateus Matos