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A Tolerância

Na acepção corrente, é uma tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos. Também significa diferença máxima admitida entre um valor especificado e o obtido; margem especificada como admissível para o erro em uma medida ou para discrepância em relação a um padrão.

O tolerante é o que desculpa, o indulgente, o benigno. É aquele que admite e respeita opiniões contrárias à sua.

Tolerar é ser indulgente, consentir tacitamente.

Na visão dos inquisidores, na Idade Média, segundo análise feita pelo Prof. de Ética e Teologia na UERJ, LEONARDO BOFF, ao prefaciar o livro DIRECTORIUM INQUISITORUM – MANUAL DOS INQUISIDORES, escrito por NICOLAU EYMERICH em 1376 e revisto e ampliado por FRANCISCO DE LA PEÑA em 1578, o portador da verdade é intolerante. Deve ser intolerante e não tem outra opção. Caso contrário a verdade não é absoluta. Só os que não possuem a verdade podem ser tolerantes. Consentir a dúvida. Permitir a busca. Aceitar a verdade de outros caminhos espirituais. O fiel, este é condenado à intolerância, concluindo que a pretensão da verdade absoluta leva à intolerância.

Logosoficamente a tolerância é uma antideficiência, indispensável à convivência harmônica e que deve se contrapor à falha denominada intolerância.

A intolerância fecha os caminhos da compreensão e os da sensibilidade humanas.

Segundo a Logosofia, o intolerante é um ser rígido, duro, inflexível, aferrado a seu estreito critério, em cujo coração o afeto ao semelhante é oprimido e até sufocado por sua inveterada falta de respeito às idéias, ao afazer e comportamento alheios.

A intolerância, como deficiência psicológica, associa-se a outras como a soberba, acrescentando a sua dureza, que vem acompanhada de uma excessiva superestimação de si mesmo e um excessivo consentimento às bajulações recebidas daqueles que, sob pressão de autoridade ou privilégios concedidos, se sentem obrigados a proporcioná-los.

É interessante observar que a intolerância não se manifesta com os de cima, nem contra aqueles de quem se espera tirar partido, o que não impede ser intolerante nos juízos ou nas apreciações que sobre tais pessoas se fazem.

Convém ressaltar aqui que “as grandes almas jamais foram intolerantes, pois a grandeza é incompatível com a estreiteza mental dos que desconhecem as alturas e relevos morais configurados nelas”. Afirma González Pecotche em seu livro Deficiência e Propensões do Ser Humano, ao tratar dessa falha que, “muitas vezes, esta deficiência degenerou em perseguições sociais, políticas, religiosas e ideológicas, abrindo abismos profundos entre homens e povos”, a exemplo do que ocorreu nos negros tempos da Idade Média, com os rigores da inquisição.

De resto, o intolerante é um ser pouco simpático, pois cria em seu redor um ambiente hostil, impedindo-o de levar uma vida grata, decorrendo disso muitos de seus pesares.

O antídoto para se combater a intolerância é o cultivo da tolerância, aplicada de forma inteligente e equilibrada. A tolerância tem por base o respeito ao próximo.

Pode-se concluir, então, que quem detém o conhecimento, quem está com a verdade, é mais tolerante.

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