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Violência e paz


Publicado desde 07/06/2006
Gisele Aparecida  da Silva 

        Muito embora tratar-se de assunto corriqueiro em nosso cotidiano contemporâneo, a discussão acerca da violência nunca esteve tão atual, especialmente quando verificamos a sua generalização e banalização em todas as esferas humanas.

       O homem individualmente considerado, torna-se único em relação aos demais em razão de sua personalidade, cujo desenvolvimento requer a concorrência de diversos bens-interesses, sendo que destes o principal é a liberdade. Entretanto, para que tal desenvolvimento se processe é pressuposto essencial à natureza humana a convivência em sociedade.

       Conseqüentemente, podemos dizer que o desenvolvimento da sociabilidade encontra-se intimamente interligado ao respeito à individualidade, assim como o desenvolvimento da individualidade, interliga-se com a existência da sociabilidade. Disso decorre que o desenvolvimento impróprio das individualidades ocasiona reflexos negativos na esfera social nas mesmas proporções.

       A liberdade, como já mencionado, assume um papel preponderante no desenvolvimento da individualidade, uma vez que somente através da concorrência desse bem-interesse, o homem consegue projetar-se na esfera social junto aos seus iguais como um igual. Esta é a razão principal de tantas lutas com o objetivo de sua conquista, podendo-se afirmar, inclusive, que a história humana escreveu-se através da busca incessante pela liberdade.

       Todavia, uma rápida análise da evolução do homem e de suas Instituições, revela a estarrecedora verdade de que o aprimoramento do conceito de liberdade trouxe em contrapartida a evolução da violência em nossa civilização. Tal afirmação prova-se, por si, como verdadeira ao constatarmos que o nosso senso comum entende a violência e a liberdade como inerentes ao homem e à sociedade.

       As razões para tal fenômeno totalmente ilógico encontra-se no desenvolvimento alienado dos indivíduos, que através do exercício incorreto da liberdade, projetam na esfera social a violência que emana dessa alienação, originando, dessa forma, uma civilização completamente enferma pela violência.

       A idéia geral traduzida pelo egocentrismo, que constitui causa motivadora das ações humanas, sempre esteve presente na história da nossa civilização, sendo seu ápice atingido no século XVIII, quando então o homem se desvincula da religião para buscar, em definitivo, no plano material a sua auto-realização.

       Cada indivíduo, portanto, em busca da realização do eu-próprio, tenha ou não consciência disso, torna-se um centro convergente de pensamentos, palavras e ações que, chocando-se com os seus iguais gera o estado de violência. Uma vez que há a eterna necessidade de convivência social para o nosso desenvolvimento, do exercício egocêntrico de nossas liberdades, origina-se a necessidade de competição, dominação e poder que é inerente à natureza restrita e alienada dos indivíduos. Assim, discorrendo sobre as idéias de Sartre, R.D.Laing e D.G.Cooper esclarecem:

       “Se houver recusa de reciprocidade, cada qual se recusa a servir aos fins do outro e reconhecendo o seu ser como um meio objetivo no projeto do outro, como adversário tira lucro de sua própria instrumentalidade para o outro, tornando-o um instrumento dos seus próprios fins. Isto é, luto ou conflitos. (LAING, R.D.; COOPER, D.D. Razão e Violência, p. 76)

       Por conseguinte, não seria absurdo afirmar que nossa cultura foi construída por intermédio da violência. Podemos, inclusive, afirmar que nossa civilização atual não é verdadeiramente civilizada, uma vez que o progresso científico alcançado, não foi suficiente para extinguir a violência do cotidiano humano.

       Não se trata, porém, da violência entendida no sentido criminal, uma vez que a adoção de tal sentido também é restrito. Estamos aqui discorrendo sobre a violência em seu sentido amplo, ou seja, sua essência. A ambição pela conquista de poder econômico, status social e satisfação, conduz o homem ao desejo de subjugar o seu próximo, seja dominando-o, seja afastando-o, para obter seus fins almejados. Desse modo, no estado de violência, o homem entende seu semelhante como instrumento de sua felicidade, sendo esta a essência de tal fenômeno.

       Para comprovação de tal afirmativa, basta cada um de nós avaliarmos o contido dentro de nosso íntimo. Em todas as fases de seu desenvolvimento enquanto indivíduo, o homem experimenta a necessidade de impor seus pensamentos, palavras e ações aos demais, ou seja, o homem, possuindo uma noção egoística e restrita de suas liberdades, tem como noção de felicidade a ascendência entre os seus iguais e a influência que exercerá sobre eles. Esta é razão para todos os conflitos intersubjetivos em nossa sociedade, seja no plano ideológico, seja no plano psicológico, seja no plano físico.

       Um exemplo simples do que aqui se discute poderá ser constatado nas relações amorosas, onde é evidente a busca incessante travada pelos parceiros no sentido de subjugar o outro para sua completitude. O mesmo pode-se dizer do preconceito, em sentido amplo, uma vez que este é gerado pela imposição de estigmas em determinadas individualidades ou grupos de individualidades.

       Assim, uma vez que a violência é fenômeno atinente ao desenvolvimento alienado do indivíduo, naturalmente tal alienação projeta-se na esfera social , influenciando a sociedade e suas Instituições. Nesse sentido, podemos dizer que a violência constitui em umas das causas da desagregação familiar, da crescente criminalidade, do aumento exagerado de legislações, da corrupção política, sistema educacional defasado, da desarmonia entre os Estados na esfera internacional, etc.

       O princípio básico do capitalismo consistente no acúmulo de capital também poderá ser considerado um princípio de violência, em escala amplíssima, uma vez que suas conseqüências são sentidos em todos os cantos do planeta, pelo empobrecimento da maioria dos homens, contrastando-se com uma minoria que goza os benefícios de concentração de recursos.

       Tratando-se, portanto, de uma civilização construída sob os fundamentos da violência, naturalmente até mesmo aquilo que entendemos como paz, ou processos de paz, encontram-se erroneamente embasados na violência, uma vez que adotam como princípio a imposição, sendo inúmeros os exemplos na história da utilização da guerra com o objetivo de pacificação.

       O homem precisa entender que, muito embora tenha uma individualidade única, esta individualidade somente se desenvolve de modo correto, quando ele convive em sociedade harmonicamente. Disso decorre que o princípio egocêntrico de vida é contrário à natureza dos homens que, de per si, é universal e sociável, o que equivale a dizer que o princípio correto a ser adotado é o de auxílio mútuo.

       Cada homem deve conduzir sua vida no sentido de melhorar não somente a si próprio, mas também o meio em que vive, a sociedade e suas Instituições, uma vez que a felicidade ou bem-comum, jamais será alcançado, de modo completo, enquanto existirem seres humanos sofrendo com a doença, a miséria e o conflito. Podemos dizer, inclusive, que nenhum ser humano é ou será completamente feliz, enquanto uma maioria esmagadora de indivíduos vive sem a menor expectativa de felicidade.

       Sob esse aspecto, o bem comum buscado até o presente por todos os Estados, não passa de ilusão. Tal fato, em realidade, poderá ser considerado uma das maiores violências à natureza humana. Cada povo organiza-se em um território através de uma Carta Magna, cujo objetivo primordial é a busca pelo Bem Comum, que em verdade, jamais é alcançado de fato, o que constitui em um valor falso nas democracias modernas, e a paz encontra-se inserida dentro desse contexto.

       A paz não deve ser entendida tão somente como ausência de conflitos. Trata-se de um processo cujas raízes são mais profundas. Uma vez que a violência tem suas origens na alienação da natureza humana, somente com o retorno dos homens à sua verdadeira natureza, encontraremos a paz, em sua acepção verdadeira.

       A essência humana é universal, pois nossa raça é única nesse planeta. Assim, tudo aquilo que é necessário ao desenvolvimento de uma individualidade, constitui um bem-interesse necessário a todos os homens e por isso deve ser compartilhado, jamais usufruído em detrimento de outros. Tal postura é mais condizente com a natureza humana do que o princípio egocêntrico que viemos adotando até o presente. É preciso, portanto, uma reformulação integral do espírito humano.

       A essência da paz encontra-se no respeito à individualidade alheia. Toda e qualquer liberdade exercida em detrimento alheio, constitui uma violação à natureza humana e, conseqüentemente, seus reflexos contribuem para a diminuição ou violação aos Direitos Humanos. O homem somente é livre, verdadeiramente, quando interage socialmente sem subjugar ou afastar o seu próximo para atingir objetivos íntimos, seja no plano psicológico, ideológico ou físico.

       Porém, a paz não deve ser entendida somente no tocante a esse aspecto de não fazer, uma vez que a própria inação, em si, é contrária ao caráter perfectível do ser humano. Torna-se necessário que cada homem trabalhe constantemente não somente para o seu auto melhoramento, mas também para o melhoramento da humanidade como um todo, especialmente no tocante à eliminação do sofrimento.

       Desde os primórdios da história humana, os homens vieram trabalhando e evoluindo no sentido de satisfazer a si próprio e a seu grupo, sem jamais medir esforços para tanto, o que gerou não somente o desenvolvimento que presenciamos, mas também todas as guerras, revoluções e sofrimentos a que a maioria dos indivíduos estão sujeitos. Nunca, em toda a história, os homens buscaram trabalhar com o objetivo de melhorar as condições da humanidade, em sua totalidade.

       Tal disposição de espírito constitui a causa geradora de todos os problemas de ordem social, Institucional e, inclusive, de ordem internacional. De outro lado, também resta aclarada a que a solução para todos esses problemas encontra-se, única e exclusivamente, subordinada à vontade dos seres humanos em buscar o que verdadeiramente representaria o Bem Comum, sendo este entendido como a felicidade de todos os homens indistintamente.

       Assim, o exercício correto da liberdade traz como implicação lógica essa união entre os homens na busca da concretização desse Bem Comum universal, o que traz como conseqüência óbvia a pacificação em nossa civilização, do que podermos concluir, que a paz não é algo a ser buscado como finalidade última, tratando-se apenas em efeito secundário da concretização de algo muito maior, qual seja, a renovação dos seres humanos.

       O homem deve renovar a si mesmo para que o mundo seja renovado, mas ao mesmo tempo, buscar renovar nosso mundo também trará como conseqüência à renovação de cada um de nós. Daí a conclusão de restar infrutífera toda e qualquer discussão acerca da eliminação da violência, como também toda e qualquer medida adotada, uma vez que para a solução de qualquer problema a lógica necessária para tanto, requer a adoção de medidas junto à fonte geradora e não nas conseqüências.

       Por conseguinte, a humanidade somente se libertará do caos em que se encontra o planeta através de uma revolução em sua própria essência, que conduza todos os homens, indistintamente, ao respeito pelos valores humanos acima de quaisquer outros bens ou interesses. Qualquer outra solução apontada não passará de simples paliativo e, por isso mesmo, já trará em sua criação as sementes de sua falibilidade.

       

Este conteúdo foi redigido e finalizado em 06/06/2006, segundo o seu autor e responsável.
Representa, única e exclusivamente, a opinião particular do próprio autor. Ele é o único responsável pelas informações acima dispostas e publicadas, análises e críticas assumidas, informações pesquisadas, incluídas e citações realizadas.


Gisele Aparecida Pereira da  da Silva 
Membro desde fevereiro de 2006
Gisele Aparecida Pereira da Silva, advogada, graduada em 2002 pela Faculdade de Direito de Bauru, Instituição Toledo de Ensino, capacitada em mecanismos extrajudiciais de solução de conflitos pelo INACOM - Instituto Internacional de Arbitragem, Conciliação e Mediação, membro da comissão de direitos humanos da OAB subseção Bauru/SP *
* segundo o próprio membro em 14 de fevereiro de 2006


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